Sonda da ESA Captura as Primeiras Imagens do Misterioso Polo Sul do Sol

Crédito:Artist’s concept of Solar Orbiter
Em uma conquista histórica, a sonda Solar Orbiter da Agência Espacial Europeia capturou as primeiras imagens do elusivo polo sul do Sol. “Essas imagens inovadoras revelam novos insights sobre o Sol e impulsionam a ciência solar, após uma jornada complexa até aqui.“
O Sol: Ainda um Mistério
Por mais familiar que o Sol nos pareça, ele permanece um enigma cósmico. Mesmo após séculos de observação, os cientistas ainda se debatem com questões sobre sua dinâmica interna, atividade magnética, produção de energia e flutuações. Os polos do Sol, em particular, permaneceram ocultos e mal compreendidos — até agora.
“Em uma missão colaborativa, a ESA e a NASA enviaram a Solar Orbiter ao espaço a partir de Cabo Canaveral, em 10 de fevereiro de 2020. Além disso, seu objetivo não era apenas se aproximar do Sol — um feito difícil por si só —, mas alcançar gradualmente um ponto de vista único, muito além do plano usual em que a Terra e a maioria das espaçonaves orbitam.” Durante décadas, os estudos solares se basearam em observações próximas à eclíptica, o que nos dá uma perspectiva predominantemente equatorial. Mas a missão da Solar Orbiter traçou um novo rumo.
Sobrevoos gravitacionais: o caminho para os polos
Para isso, a sonda vem realizando uma série de sobrevoos gravitacionais precisos ao redor da Terra e de Vênus. “Com isso, essas manobras lhe dão o impulso necessário para inclinar sua órbita cada vez mais para longe do plano da eclíptica, atingindo, por fim, uma inclinação de 33° — o suficiente para obter uma visão clara dos polos solares.“

Crédito:The Sun’s magnetic field as seen from Solar Orbiter ESA/NASA/Solar Orbiter PHI Team/J. Hirzberger
Esse caminho não foi isento de desafios. “Além disso, cada assistência gravitacional teve que ser cronometrada e posicionada com extrema precisão, pois pequenos erros de cálculo se acumulavam com o tempo.” A espaçonave também teve que suportar temperaturas extremas próximas a 500 °C (932 °F) e passar por períodos sem contato com o controle da missão na Alemanha.

Crédito:One of the first images of the Sun’s south pole ESA/NASA/Solar Orbiter PHI Team/J. Hirzberger
“Contudo, esses riscos estão começando a dar frutos. A sonda espacial, que atualmente orbita o Sol a cada 168 dias a distâncias que variam de 42 a 136 milhões de km, está equipada com um robusto conjunto de instrumentos.” Estes incluem geradores de imagens ultravioleta e de raios X, magnetômetros, detectores de partículas e dispositivos para analisar o vento solar e as ondas de plasma — cada um fornecendo dados cruciais.
Mais do que apenas curiosidade
Esta missão não visa apenas expandir o conhecimento humano por curiosidade. A atividade solar, particularmente nos polos, desempenha um papel fundamental na formação do clima espacial. Tempestades solares podem interromper as comunicações, danificar satélites e até mesmo paralisar redes elétricas. “Além disso, estudar os polos — onde os campos magnéticos são especialmente voláteis — pode, eventualmente, ajudar os cientistas a prever essas perturbações com maior precisão.“
Carole Mundell, Diretora Científica da ESA, enfatizou a importância do momento:
“Hoje, revelamos as primeiras imagens do polo solar vistas pela humanidade“, disse ela. “O Sol, nossa estrela vital e potencial ameaça aos sistemas de energia, precisa ser compreendido e previsto. As imagens inéditas da Solar Orbiter marcam o início de uma nova era na ciência solar.“
Com esse marco na exploração solar, os cientistas agora estão mais bem equipados para decifrar o funcionamento complexo da nossa estrela e potencialmente proteger a vida na Terra de suas influências mais prejudiciais.
Leia o artigo original em: New Atlas
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