O Núcleo da Terra Contém uma Vasta Reserva de Ouro — e Ele está Vazando em Direção à Superfície

Créditos de Imagem: Novas evidências sugerem que metais pesados derretidos, como ouro, estão vazando do núcleo da Terra. (jxfzsy/iStock/Getty Images Plus)
O núcleo da Terra contém uma enorme quantidade de ouro, e esse metal precioso está lentamente se infiltrando na crosta terrestre, de acordo com um novo estudo.
Rochas Vulcânicas Revelam Vestígios de Metais Preciosos
Pesquisadores analisaram isótopos encontrados em rochas vulcânicas que emergiram das profundezas da litosfera e identificaram vestígios de metais preciosos — incluindo ouro. Os dados sugerem que esses elementos começaram sua jornada vazando do núcleo e foram gradualmente transportados para cima pela convecção do magma até atingir as camadas superiores do planeta.
“Quando vimos os primeiros resultados, percebemos que tínhamos literalmente encontrado ouro!”, diz o geoquímico Nils Messling, da Universidade de Göttingen, na Alemanha. “Nossos dados confirmam que materiais do núcleo, incluindo ouro e outros metais preciosos, estão vazando para o manto terrestre.”
Ouro na Crosta: Apenas a Ponta do Iceberg
Embora possamos acessar o ouro na crosta, ele representa apenas uma pequena fração da quantidade total presente no planeta. Estudos indicam que mais de 99% do ouro da Terra está preso no núcleo metálico — o suficiente para cobrir toda a superfície do planeta em uma camada de 50 centímetros (20 polegadas) de espessura.

Créditos de Imagem: A evidência foi encontrada em basalto do Havaí, material outrora fundido expelido vulcanicamente do interior da Terra. (James St. John/Flickr/Domínio Público)
Essa concentração profunda faz sentido. Durante a formação da Terra, os elementos mais pesados afundaram em direção ao centro, em um processo conhecido como “catástrofe do ferro”, formando o núcleo. Posteriormente, impactos de meteoros trouxeram ouro e metais pesados adicionais para a superfície.
Os cientistas já sabiam que o núcleo libera isótopos primordiais de hélio e ferro pesado, mas não haviam determinado se os metais preciosos encontrados na crosta vinham do núcleo ou do espaço.
Rutênio: A Pista Crucial
Uma pista crucial veio dos isótopos de rutênio, um metal raro. Os isótopos encontrados no núcleo diferem sutilmente daqueles na superfície. A equipe de Messing revelou essa diferença, até então indetectável, por meio de novas técnicas analíticas.
Ao aplicar esses métodos a amostras de rochas vulcânicas das Ilhas Havaianas, os cientistas identificaram uma concentração significativamente maior de rutênio-100 — um isótopo associado ao núcleo da Terra — em comparação com o manto ambiente.

Créditos de Imagem: A graphic illustrating the leak of metals from Earth’s core. (University of Göttingen/OpenAI)
A descoberta indica que os elementos siderófilos — aqueles que migraram para o núcleo quando a Terra ainda estava derretida — estão gradualmente retornando à superfície. Isso inclui o rutênio, mas também o paládio, o ródio, a platina e, claro, o ouro.
Implicações para a Compreensão da Terra (e além)
Este ouro não está subindo em grandes quantidades, nem é facilmente acessível, visto que o núcleo se encontra a cerca de 2.900 quilômetros (1.800 milhas) abaixo da superfície. No entanto, a descoberta aprofunda nossa compreensão da dinâmica interna da Terra — e potencialmente de outros planetas rochosos também.
“Nossos resultados mostram que o núcleo da Terra não é tão isolado quanto se acreditava anteriormente”, diz o geoquímico Matthias Willbold, também da Universidade de Göttingen. “Agora podemos confirmar que volumes massivos de rocha superaquecida do manto — centenas de quatrilhões de toneladas — se originam na fronteira núcleo-manto e sobem à superfície para formar ilhas oceânicas como o Havaí.”
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