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Uma fantasia alquímica centenária pode estar se aproximando da realidade, já que a Marathon Fusion afirma que seu reator de fusão tokamak pode transformar mercúrio comum em ouro durante o processo de fusão — e em quantidades que deixariam até Auric Goldfinger atônito.
A Pedra Filosofal e Ambições Antigas
Por milênios, alquimistas sonharam com a Pedra Filosofal, capaz de transformar metais comuns em ouro. Esses primeiros experimentos, combinando química rudimentar com crenças místicas, visavam tanto à iluminação pessoal quanto ao ganho material.
Apesar de lançarem as bases para a química moderna, esses antigos alquimistas nunca conseguiram produzir ouro de verdade — além das ilusões vendidas a clientes ávidos por alguns fraudadores astutos.
Avançando para a era atômica, onde os físicos desvendaram a ciência da transmutação nuclear. Entretanto, embora o ouro pudesse de fato ser produzido em laboratório, o processo era proibitivamente caro e produzia apenas quantidades microscópicas.Do Mito à Possível Realidade
Hoje, o conceito de crisopeia — o termo refinado para transmutação de metais — pode finalmente ter potencial no mundo real. E, como acontece com muitos avanços modernos, é um desdobramento surpreendente de outra inovação.
A Marathon Fusion afirma que seus reatores tokamak geram energia limpa e ainda convertem mercúrio em até cinco toneladas de ouro por gigawatt (\~2,5 GWth) de eletricidade.
Veja como funciona: um método semelhante ao de geração de trítio envolve o revestimento da câmara do reator com mercúrio-198 ou uma liga de lítio-mercúrio. Ao ser bombardeado por nêutrons de alta energia, o mercúrio-198 vira mercúrio-197 instável, que logo decai em ouro-197 estável. O reator também produz trítio ao utilizar a liga.
Otimizando o Processo
Em um artigo recente pré-publicado (aguardando revisão por pares), pesquisadores da Marathon propõem enriquecer o mercúrio para cerca de 90% do isótopo desejado para otimizar a conversão. Após a exposição ao reator, pesquisadores podem extrair o ouro com facilidade devido à sua inércia química.
Do ponto de vista econômico, com o ouro sendo negociado a aproximadamente US$ 3.388,50 por onça troy, cinco toneladas anuais equivalem a cerca de US$ 544,8 milhões. Isso representa uma compensação substancial para os custos do reator — e sobra o suficiente para comemorar com uma garrafa de champanhe Pol Roger Brut vintage.