IA Detecta a Consciência do Coma Antes dos Médicos

Imagine estar totalmente consciente em uma cama de hospital, mas incapaz de se mover ou sinalizar para as pessoas ao seu redor. Essa condição, conhecida como “consciência oculta“, afeta muitas pessoas com lesões cerebrais graves. Um estudo recente da Communications Medicine descobriu que a IA pode detectar movimentos faciais sutis em pacientes em coma que os médicos não percebem.
Consciência Oculta e os Limites do Diagnóstico
A consciência oculta foi identificada pela primeira vez em 2006, quando a atividade cerebral de uma mulher sem resposta refletiu a de participantes saudáveis durante tarefas imaginárias. Em 2022, pesquisadores descobriram que cerca de um em cada quatro pacientes aparentemente sem resposta apresentava consciência oculta. A neuroimagem raramente é usada, pois é demorada e especializada; os médicos, em vez disso, dependem de verificações comportamentais, como abrir os olhos, seguir comandos ou reagir a sons.
Para encontrar uma maneira mais simples de medir a consciência, a neurocientista Sima Mofakham, de Stony Brook, e sua equipe desenvolveram o SeeMe, uma ferramenta de IA que analisa movimentos faciais sutis a partir de vídeos. Em 37 pacientes em coma, o SeeMe detectou respostas nos olhos e na boca vários dias — em média 4,1 e 8,3 — antes dos médicos, identificando até mesmo tentativas invisíveis aos clínicos em cinco casos.
Sinais Precoces e Potencial Prognóstico
“Os pacientes frequentemente realizam movimentos sutis antes de movimentos maiores e mais perceptíveis”, explica Mofakham. Os médicos podem reconhecer sinais de consciência em alguns indivíduos dias depois que eles já os apresentavam. Aqueles com movimentos faciais mais frequentes e pronunciados também tenderam a apresentar melhores resultados de recuperação, apontando para o potencial dessa tecnologia na previsão do prognóstico.
Detectar a consciência precocemente tem um peso clínico importante, observa Jan Claassen, neurologista da Universidade de Columbia que não participou do estudo. Reconhecer a consciência pode orientar decisões críticas para médicos e familiares, desde abordagens paliativas até tratamentos agressivos. “Cada dia importa” nessas situações, diz Claassen. A detecção precoce também pode permitir o início mais precoce da reabilitação, o que, segundo pesquisas anteriores, leva a maiores ganhos na função motora.
Recuperações Irregulares e Consciência Oculta
A recuperação da consciência após uma lesão cerebral é tipicamente irregular e imprevisível. “É como uma lâmpada piscando — ela não acende do nada”, explica Claassen. O estudo acompanhou pacientes por seis meses, mas sugere que alguns pacientes em cuidados de longa permanência, presumivelmente sem resposta, ainda podem apresentar sinais ocultos de consciência detectáveis com o SeeMe ou imagens avançadas. “Precisamos testar isso”, diz Mofakham. “Há uma chance real.”
Olhando para o futuro, sua equipe planeja explorar se os pacientes conseguem responder a perguntas de sim ou não por meio de movimentos faciais específicos. “Isso tem sérias implicações éticas”, diz Mofakham, já que pacientes que não conseguem se comunicar não podem participar de suas próprias decisões de tratamento.
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