Como 28,5 Milhões de Camarões Impulsionam uma das Transformações mais Drásticas da Natureza para Perda de Gordura

Maior Perdedor: Baleias Jubarte elevam a queda de pelos no verão a outro nível Créditos da imagem: Depositphotos
Apesar de parecerem serenas, as jubartes perdem até 36% do peso corporal em menos de dois meses — uma das transformações mais drásticas do reino animal. Notavelmente, elas conseguem isso sem a degradação prejudicial do tecido observada em outras espécies durante a inanição. Novas pesquisas estão agora esclarecendo a escala massiva dessa perda de gordura.
Rastreando a Grande Migração por Drone
Uma equipe da Universidade Griffith, na Austrália, rastreou 103 baleias jubarte adultas (Megaptera novaeangliae) usando drones enquanto os animais migravam pelo Hemisfério Sul — das águas geladas da Península Antártica Ocidental para áreas de reprodução perto da Colômbia, percorrendo cerca de 8.000 quilômetros em uma única direção.
Os cientistas se concentraram em como essa jornada de longa distância alterou o corpo das baleias e como elas conseguiram sobreviver queimando grandes quantidades de gordura armazenada, mantendo-se saudáveis o suficiente para que as fêmeas dessem à luz ao chegarem às águas tropicais.
As jubartes perdem cerca de 11.000 kg de gordura na viagem — o equivalente a dois elefantes africanos adultos. E fazem tudo isso sem se alimentar durante o trajeto. Para isso, cada jubarte consome cerca de 57.000 kg de krill — 28,5 milhões de criaturas, mais que o peso de decolagem de um Airbus A320.
Para colocar isso em perspectiva, é como se um ser humano de 90 quilos perdesse mais de 30 quilos em menos de dois meses — sem quaisquer efeitos negativos para a saúde.
Padrões Sazonais de Alimentação e Jejum
“As jubartes do hemisfério sul dependem do krill antártico para obter energia nas migrações entre alimentação e reprodução”, explicou Alexandre Bernier-Graveline. “Descobrimos que as jubartes engordam no outono e ficam mais magras na primavera, mostrando uma drástica mudança sazonal no corpo.
“Nossa pesquisa captura os extremos de seu estilo de vida de ‘festa e jejum’ e ressalta a importância crucial do krill antártico para sua sobrevivência e comportamento migratório”, acrescentou.
Essa extraordinária capacidade de queima de gordura revela detalhes importantes sobre a eficiência metabólica e as demandas energéticas das baleias jubarte. Em 6 a 8 semanas de migração, as jubartes queimam tanta energia quanto uma pessoa média consome em 62 anos.
Ao contrário dos humanos, as baleias dependem da gordura como fonte primária de energia de fácil acesso, permitindo-lhes jejuar sem danificar órgãos vitais ou apresentar falhas no sistema. No entanto, esse sistema, que antes era tão equilibrado, está ameaçado — em grande parte devido às mudanças climáticas e à atividade humana.
Mudanças Climáticas e Sobrepesca Ameaçam o Equilíbrio
O derretimento do gelo antártico e a sobrepesca contínua reduziram as populações de krill, o que afeta não apenas as baleias, mas também outras espécies dependentes do krill, como os pinguins-de-barbicha e os pinguins-gentoo. Para criaturas gigantescas como as jubartes, que dependem de milhões de krill para armazenar energia anualmente, o impacto pode ser especialmente significativo.
Este estudo fornece informações valiosas sobre como as jubartes sobrevivem a essas migrações épicas e destaca a importância ecológica do krill (Euphausia superba) em seu ciclo de vida. Também demonstra como tecnologias emergentes — como a fotogrametria com drones — podem oferecer novas maneiras de observar e compreender mamíferos marinhos esquivos na natureza.
“Ao conectar os custos de energia da migração e reprodução com a disponibilidade de krill, nossas descobertas fornecem um contexto ecológico crítico sobre como as mudanças ambientais — como o declínio das populações de krill — podem moldar o futuro das populações de baleias”, concluíram os pesquisadores.
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