Primeiro Transplante de Pulmão de Porco para Humano

Primeiro Transplante de Pulmão de Porco para Humano

Créditos da Imagem: singularity Hub

Um pulmão de porco geneticamente modificado funcionou por 216 horas dentro de um humano com morte cerebral, marcando a primeira tentativa relatada de transplante de pulmão entre espécies, de acordo com a Nature Medicine.

A técnica, conhecida como xenotransplante, visa aliviar a escassez crônica de órgãos de doadores. Órgãos de porco são semelhantes em tamanho aos humanos, mas suas proteínas frequentemente desencadeiam rejeição imunológica grave. Com o tempo, cientistas identificaram os genes por trás dessas proteínas problemáticas e usaram ferramentas de edição genética para tornar os órgãos de porco mais compatíveis com o corpo humano.

China Expande Fronteiras com o Primeiro Transplante de Pulmão de Porco

Pesquisadores já transplantaram corações, fígados e rins de porco modificados em pessoas sob protocolos experimentais, mostrando progressos encorajadores. Agora, uma equipe do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Guangzhou, na China, adicionou pulmões a essa lista — embora com limitações importantes.

O transplante de pulmão durou mais de nove dias, mas acabou causando inflamação grave, apesar de um regime intensivo de medicamentos imunossupressores.

Ainda assim, os pesquisadores observam que seus resultados “abrem caminho para novas inovações na área”.

Todos os dias, cerca de 13 pessoas morrem enquanto aguardam um transplante de órgão. O problema é gritante: simplesmente não há órgãos de doadores suficientes.

Para que um transplante seja bem-sucedido, o órgão do doador precisa ter compatibilidade próxima com o tipo sanguíneo e os marcadores imunológicos do receptor, o que torna a espera dolorosamente longa. No final de setembro de 2024, quase 90.000 pacientes estavam na lista de espera para transplante de rim, enquanto mais de 3.000 aguardavam um novo coração.

Órgãos de porco oferecem uma alternativa possível — mas, em seu estado natural, não são seguros para humanos.

Vírus e Rejeição

Um problema é que o DNA do porco carrega retrovírus endógenos suínos (PERVs). Esses vírus não prejudicam os porcos, mas podem infectar humanos. Outro problema é a rejeição imunológica: cada órgão é coberto por marcadores proteicos, como uma impressão digital biológica. Se o corpo não reconhece essa impressão digital, o sistema imunológico monta uma defesa agressiva. Células T assassinas, células B e moléculas inflamatórias conhecidas como citocinas podem sobrecarregar e destruir o transplante.

A solução é tornar os órgãos dos porcos mais semelhantes aos humanos para que evitem a detecção imunológica.

Ao longo dos anos, pesquisadores identificaram os genes suínos que codificam essas proteínas problemáticas e usaram CRISPR-Cas9 para removê-los. Mas isso criou novos desafios: sem certos sinais proteicos, os órgãos pareciam anormais para as células imunológicas. Para combater isso, os cientistas inseriram três genes humanos que regulam as respostas imunológicas, essencialmente camuflando os órgãos.

Após anos de aprimoramento, pesquisadores chineses desenvolveram um porco Bama Xiang geneticamente modificado — uma raça pequena nativa do sul da China — com seis genes modificados, projetados para tornar seus órgãos mais compatíveis com os humanos.

Pelo menos em teoria

Primeira Tentativa de Transplante de Pulmão Suíno em Humanos

Em um teste recente, cientistas transplantaram o pulmão esquerdo de um porco Bama Xiang geneticamente modificado para um homem de 39 anos com morte cerebral, com o consentimento de sua família. O órgão testado estava livre de vírus, e a cirurgia seguiu em grande parte os procedimentos padrão de transplante de pulmão, embora algumas estruturas de porcos tenham sido aparadas para ajuste.

Os pulmões se rompem com mais facilidade do que outros órgãos, e a restauração do fluxo sanguíneo pode danificá-los gravemente. No entanto, em um dia, o pulmão transplantado se estabilizou e funcionou normalmente. No segundo dia, porém, apresentou sinais de rejeição aguda, com inchaço, atividade das células imunes e, posteriormente, picos de anticorpos. No nono dia, o pulmão estava parcialmente curado e trocava oxigênio, mas o estudo foi encerrado a pedido da família.

Os pesquisadores não detectaram vírus em porcos durante o estudo, e os pacientes não desenvolveram infecções, apesar da imunossupressão. Os pulmões enfrentam obstáculos únicos: pressão alta, exposição a patógenos e proteínas propensas à rejeição. Neste estudo, a resposta imune foi mais rápida e forte do que em babuínos, destacando a necessidade de medicamentos melhores ou mais edições genéticas.

A equipe agora planeja testar medicamentos para transplante existentes — e potencialmente adicionar anticoagulantes ou anti-inflamatórios — para controlar melhor as reações imunes específicas do pulmão em estudos futuros.


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