Cientistas Revelam: A África do Sul está Emergindo do Oceano

Cientistas Revelam: A África do Sul está Emergindo do Oceano

Créditos da Imagem: Pixabay

Com o avanço das mudanças climáticas, a África do Sul enfrenta não só mais calor e seca, mas também um aumento gradual de até 2 mm ao ano, segundo novas pesquisas.

Embora os cientistas já reconhecessem esse movimento ascendente, eles o atribuíram anteriormente ao fluxo do manto sob a crosta terrestre na região.

No entanto, o novo estudo associa a elevação às secas recentes e à consequente perda de água superficial, um padrão associado às mudanças climáticas globais.

Dados de uma rede de estações do sistema global de navegação por satélite (GNSS) em toda a África do Sul tornaram essa descoberta possível. Originalmente destinada a estudos atmosféricos, a rede fornece medições altamente precisas das mudanças de elevação em diferentes locais.

“Entre 2012 e 2020, os dados mostraram um aumento médio de elevação de 6 milímetros”, afirma o geodesista Makan Karegar, da Universidade de Bonn.

Da Atividade do Manto à Perda de Água

Antes, cientistas associaram o hotspot de Quathlamba — uma elevação da crosta terrestre causada por uma pluma do manto — à contínua elevação da região.

“Mas agora testamos uma explicação alternativa”, diz Karegar. “Acreditamos que a perda de água subterrânea e superficial também pode estar causando a elevação do solo.”

Para investigar essa teoria, Karegar e sua equipe analisaram dados de elevação do GNSS juntamente com padrões de precipitação e outros indicadores hidrológicos em toda a África do Sul.

Uma correlação clara surgiu: regiões que sofreram secas severas nos últimos anos apresentaram a elevação mais significativa. A seca severa de 2015-2019 levou a Cidade do Cabo à iminência do “dia zero”, quando o abastecimento de água poderia se esgotar.

Image Credits: The change in height of different GPS stations (red = rising; blue = sinking). The rise was particularly pronounced between 2015 and 2019. (AG Kusche/University of Bonn)

Dados de Satélite Oferecem Ampla Visão sobre a Perda de Água

Os pesquisadores incluíram dados da missão GRACE, uma parceria NASA-Alemanha para monitorar o campo gravitacional terrestre e as variações na distribuição de água.

“Essas medições ajudam a identificar mudanças no armazenamento total de água, como superfície, solo e subterrânea”, explica Christian Mielke, geodesista da Universidade de Bonn. “No entanto, a resolução espacial do satélite é limitada a algumas centenas de quilômetros.”

Mesmo com essa limitação, os dados do GRACE confirmaram a teoria da equipe: Regiões com redução da massa de água exibiram maior elevação do solo em estações GNSS próximas.

Apesar da limitação, os dados do GRACE confirmaram a teoria: áreas com perda de massa de água mostraram maior elevação do solo em estações GNSS próximas.

“Esses dados também indicaram que a elevação de terra se deve em grande parte à seca e à consequente perda de massa de água”, diz Mielke.

Pluma do Manto e Perda de Umidade Impulsionam a Elevação

Os pesquisadores sugerem que, além da força ascendente de uma pluma do manto, a redução da umidade na crosta terrestre também pode contribuir para a elevação da superfície.

Essa descoberta destaca mais uma maneira pela qual as mudanças climáticas estão remodelando nosso planeta — mas também pode ter benefícios práticos.

Dados GNSS, acessíveis e de fácil coleta, são uma nova ferramenta para monitorar a escassez de água, incluindo reservas subterrâneas essenciais, muitas vezes esgotadas pela agricultura e outras atividades humanas.

Com as secas ameaçando globalmente, esta pesquisa pode fornecer um método eficaz para monitorar e gerenciar os recursos hídricos.


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