Cientistas Descobrem um Novo Órgão na Garganta

Créditos de imagem: Universo Racionalista
Cientistas identificaram um órgão até então desconhecido: um par de glândulas salivares localizadas na parte superior da garganta.
Esta área da nasofaringe, localizada atrás do nariz, acreditava-se que continha apenas glândulas salivares microscópicas dispersas. No entanto, as glândulas recém-identificadas medem cerca de 3,9 centímetros de comprimento. Posicionadas acima de uma estrutura cartilaginosa chamada tórus tubário, foram denominadas glândulas salivares tubárias. Pesquisadores acreditam que essas glândulas ajudam a lubrificar e umedecer a parte superior da garganta, atrás do nariz e da boca, de acordo com descobertas publicadas na Radiotherapy and Oncology.
Uma Descoberta Acidental Através da Pesquisa do Câncer
A descoberta aconteceu por acaso. Uma equipe do Instituto Holandês do Câncer, ao utilizar exames de PET-CT (PSMA) para estudar o câncer de próstata, detectou as glândulas. Este método de imagem, que envolve a injeção de um marcador que se liga à proteína PSMA (abundante nas células do câncer de próstata), é altamente eficaz na detecção de câncer metastático. Também destaca o tecido das glândulas salivares, que é rico em PSMA.
Antes dessa descoberta, sabia-se que os humanos possuíam três glândulas salivares principais — sob a língua, sob a mandíbula e na parte posterior da mandíbula — além de cerca de mil glândulas minúsculas espalhadas pela garganta e pela boca, disse Wouter Vogel, do Instituto Holandês do Câncer.
“Então imagine nossa surpresa quando as descobrimos”, disse Vogel.
Confirmando a Existência das Novas Glândulas
Para verificar a descoberta, Vogel e sua equipe analisaram exames de 100 pacientes (99 homens, já que o estudo se concentrou no câncer de próstata) e confirmaram a presença das glândulas em todos os casos. Eles também dissecaram a mesma região em dois cadáveres doados, revelando tecido glandular mucoso com ductos drenando para a nasofaringe.
A descoberta pode ter implicações importantes para o tratamento do câncer. A radioterapia para câncer de cabeça e pescoço geralmente evita as glândulas salivares para prevenir danos, uma vez que danos a essas glândulas podem afetar a qualidade de vida.
“Os pacientes podem ter dificuldade para comer, engolir ou falar, o que pode se tornar um problema sério”, explicou Vogel.
Como as glândulas salivares tubárias eram até então desconhecidas, elas não foram consideradas durante o planejamento da radioterapia. Uma revisão com mais de 700 pacientes com câncer tratados no Centro Médico Universitário de Groningen mostrou que doses mais altas de radiação nessa área estavam correlacionadas a mais efeitos colaterais relatados. Isso sugere que a descoberta pode levar a melhores resultados no tratamento.
“Nosso próximo passo é determinar a melhor forma de proteger essas novas glândulas e em quais pacientes”, disse Vogel. “Se bem-sucedido, isso poderá reduzir os efeitos colaterais e melhorar a qualidade de vida dos pacientes após o tratamento.”
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