Por que os Animais São Vitais para a Capacidade de Armazenamento de Carbono das Florestas

Por que os Animais São Vitais para a Capacidade de Armazenamento de Carbono das Florestas

Créditos da Imagem: Christian Ziegler

Muitos estudos se concentraram em como as mudanças climáticas levam à perda de biodiversidade — mas pesquisadores do MIT agora demonstraram que o inverso também é verdadeiro: o declínio da biodiversidade pode minar uma das defesas naturais mais fortes do planeta contra as mudanças climáticas.

Em um artigo publicado na PNAS, a equipe descobriu que florestas tropicais em regeneração natural, com populações prósperas de animais dispersores de sementes, podem armazenar até quatro vezes mais carbono do que florestas semelhantes onde esses animais são escassos.

Novos Insights sobre o Papel da Biodiversidade no Fortalecimento do Armazenamento de Carbono em Florestas Tropicais

Como as florestas tropicais servem como os maiores sumidouros de carbono terrestres do mundo, a pesquisa oferece novos insights sobre como a biodiversidade ajuda a combater as mudanças climáticas.

“Essas descobertas destacam o papel crítico que os animais desempenham na sustentação de florestas tropicais densas em carbono”, afirma o autor principal Evan Fricke, pesquisador do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do MIT. “Se as populações de animais dispersores de sementes diminuírem, corremos o risco de reduzir a capacidade dessas florestas de mitigar as mudanças climáticas.”

O estudo liderado por Fricke e coautores do MIT e da The Nature Conservancy analisou dados sobre biodiversidade animal, dispersão de sementes e armazenamento de carbono em florestas tropicais. Eles descobriram que animais dispersores de sementes têm papel crucial na capacidade das florestas de capturar carbono. A pesquisa destaca a necessidade de abordar a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas como problemas interligados.

“Embora seja bem sabido que as mudanças climáticas ameaçam a biodiversidade, esta pesquisa revela como a perda de biodiversidade pode, por sua vez, intensificar as mudanças climáticas”, afirma Fricke. “Reconhecer essa relação bidirecional nos ajuda a entender melhor essas crises interligadas e como enfrentá-las. Proteger a biodiversidade e combater as mudanças climáticas não são mutuamente exclusivos — este estudo mostra que o avanço de um pode apoiar diretamente o outro.”

Conectando os Pontos

Animais como macacos e pássaros prestam um serviço ecológico essencial ao dispersarem sementes ao se alimentarem de frutas. Essa ação ajuda na germinação e no crescimento das plantas, promovendo a regeneração florestal. Sem esses dispersores, as árvores enfrentam mais dificuldades para sobreviver e se adaptar ao ambiente.

“Estamos explorando cada vez mais como os animais podem influenciar o clima por meio da dispersão de sementes”, explica Fricke. “Nas florestas tropicais — onde mais de 75% das árvores dependem de animais para espalhar suas sementes — uma queda na dispersão de sementes não ameaça apenas a biodiversidade. Também enfraquece a capacidade da floresta de se recuperar do desmatamento. E, globalmente, as populações animais estão diminuindo.”

Embora o reflorestamento seja amplamente promovido como estratégia para combater as mudanças climáticas, o papel da biodiversidade — particularmente a presença de animais dispersores de sementes — no aumento da absorção de carbono pelas florestas tem sido amplamente negligenciado, especialmente em escalas mais amplas.

Análise Abrangente Revela como o Impacto Humano Altera a Dispersão de Sementes em Florestas Tropicais

A equipe analisou mais de 17.000 parcelas de vegetação em regiões tropicais para estudar a dispersão de sementes por animais. Utilizando novos métodos, quantificaram o impacto ecológico dessa atividade e como ela é afetada por perturbações humanas. Criaram um índice de interrupção da dispersão, ligando a presença humana à redução desse processo. Por fim, avaliaram como isso influencia o acúmulo de carbono em florestas tropicais em regeneração.

“Reunir dados de tantos estudos de campo para mapear as interrupções na dispersão de sementes foi uma tarefa enorme”, afirma Fricke. “Mas isso nos permitiu ir além da identificação de quais animais estão presentes — conseguimos medir suas funções ecológicas e ver como as pressões humanas interferem nessas funções.”

Os pesquisadores reconheceram que as limitações nos dados disponíveis sobre a biodiversidade animal introduzem alguma incerteza em suas conclusões. Eles também apontaram que outros fatores ecológicos — como polinização, predação de sementes e competição — afetam a dispersão de sementes e podem influenciar a forma como as florestas se regeneram. No entanto, seus resultados se alinham com estimativas recentes em campo.

“O que diferencia este estudo é que agora podemos quantificar esses efeitos”, explica Fricke. “O fato de as interrupções na dispersão de sementes serem responsáveis por uma variação quádrupla na absorção de carbono em milhares de locais de regeneração de florestas tropicais destaca o papel significativo que os animais dispersores de sementes desempenham na regulação do carbono florestal.”

Medindo a Perda de Carbono

Pesquisadores observaram que a menor dispersão de sementes reduz em 57% o potencial de regeneração florestal, com perda de 1,8 toneladas de carbono absorvido por hectare ao ano. A regeneração natural é mais eficaz onde animais dispersores ainda atuam. Isso ocorre especialmente em áreas desmatadas próximas a florestas preservadas ou com muita vegetação.

“Ao comparar o plantio de árvores com a regeneração natural, esta última é essencialmente gratuita, enquanto o plantio é caro e frequentemente resulta em ecossistemas menos diversos”, diz Terrer. “Graças a essas descobertas, agora podemos identificar melhor as áreas onde a regeneração natural tem probabilidade de sucesso, pois os animais estão ‘plantando’ sementes por conta própria — e onde, devido ao declínio animal, o plantio ativo de árvores se torna necessário.”

Para ajudar a manter populações saudáveis de animais dispersores de sementes, os pesquisadores recomendam estratégias como a proteção de habitats, a criação de corredores de vida selvagem e a regulamentação do comércio de animais silvestres. Eles também sugerem a reintrodução de espécies perdidas ou o plantio de espécies arbóreas que atraiam dispersores de sementes para restaurar seu papel ecológico.

“Não levar em conta os efeitos da dispersão de sementes interrompida pode levar à superestimação do potencial de regeneração natural em algumas regiões e à sua subestimação em outras”, observam os autores.

Descobertas Destacam a Urgência de Estudar a Redução da Absorção de Carbono em Florestas Tropicais

A equipe vê suas descobertas como uma abertura para novas direções na pesquisa. “As florestas oferecem um enorme benefício climático, absorvendo cerca de um terço das emissões de carbono geradas pelo homem”, afirma Terrer. As florestas tropicais são o sumidouro de carbono mais vital do mundo, mas sua capacidade de absorção de carbono diminuiu nas últimas décadas.

Nosso próximo passo é investigar quanto dessa redução se deve ao aumento de secas e incêndios florestais em comparação à perda da dispersão de sementes por animais.

De forma mais ampla, os pesquisadores esperam que este trabalho aprofunde a compreensão das complexas relações que sustentam os ecossistemas da Terra.

“Quando perdemos animais, estamos desmantelando a estrutura ecológica que sustenta a saúde e a resiliência das florestas tropicais”, acrescenta Fricke.

O estudo foi financiado pelo Consórcio Clima e Sustentabilidade do MIT, pelo Governo de Portugal e pelo Fundo Bezos para a Terra.


Leia o Artigo Original MIT

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