Vinícola Espanhola usa Blocos de Concreto de Cânhamo para Preservar Uvas Antigas

Bodegas Dominio d’Echauz combina tradição e inovação na Espanha rural. Fran Silvestre Arquitetos
Na tranquila zona rural de Zayas de Báscones, Espanha, um novo e sutil projeto arquitetônico começa a tomar forma. Projetada pelo escritório Fran Silvestre Arquitectos, a vinícola Bodegas Dominio d’Echauz foi concebida para ser mais do que apenas uma unidade de produção de vinho — funcionará como um arquivo vivo, um laboratório e um santuário focado na preservação e no estudo de variedades de uva ameaçadas de extinção.
Integração com a Paisagem e o Patrimônio Agrícola
Ao contrário de muitas vinícolas que privilegiam operações em larga escala, este projeto adota uma abordagem mais contida. Sua forma curva branca planejada acompanhará o layout dos vinhedos circundantes, parecendo emergir naturalmente da paisagem. Por trás desse design discreto, encontra-se uma proposta inovadora que une a arquitetura sustentável à preservação do patrimônio agrícola.
O edifício está sendo construído principalmente com blocos de concreto de cânhamo, um biocomposto feito de fibras de cânhamo, cal e água. Esses blocos formarão duas paredes curvas contínuas que oferecem resistência estrutural e, ao mesmo tempo, criam uma estética suave e fluida. Uma cobertura metálica de uma só água cobrirá o edifício, que será totalmente revestido com Diathonite, uma argamassa isolante à base de cortiça aplicada nos pisos, paredes e tetos.

Paredes curvas de concreto de cânhamo das Bodegas Dominio d’Echauz erguem-se suavemente da terra castelhana. Fran Silvestre Arquitectos
Juntos, esses materiais proporcionarão uma aparência coesa e excelente desempenho térmico — um fator crucial para o envelhecimento do vinho, potencialmente reduzindo ou eliminando a necessidade de sistemas mecânicos de controle climático.
Estética Minimalista e Funcionalidade Climática
A paleta minimalista de branco e o uso de materiais naturais alinham-se à filosofia arquitetônica mais ampla de Fran Silvestre. Mas, neste caso, as escolhas não são apenas estéticas: o revestimento de cortiça branca refletirá a luz solar para ajudar a regular a temperatura do edifício durante os verões intensos de Castela, enquanto o perfil baixo da estrutura permitirá que ela se integre à paisagem.
Internamente, a vinícola seguirá um caminho claro e funcional: as uvas entrarão por uma extremidade, passarão por tanques de fermentação e amadurecerão em barricas de carvalho antes do engarrafamento. O projeto se expande em áreas-chave para incluir espaços para degustação de vinhos, encontros sociais, pesquisa e armazenamento.

Bodegas Dominio d’Echauz: onde materiais ancestrais encontram o futuro da vinificação. Fran Silvestre Arquitectos
Este layout enfatiza o propósito mais profundo do edifício: não se trata de uma vinícola, mas de um espaço para microvinificação, onde cada pequeno lote é um estudo de preservação e potencial.
Parceria para a Proteção de Variedades Raras
A Vitis Navarra, organização dedicada à proteção de variedades de uva quase esquecidas, é parceira no desenvolvimento do projeto. O objetivo não é produzir grandes volumes de vinho, mas criar um repositório genético — um recurso essencial para o futuro da viticultura diante das mudanças climáticas e das mudanças nas preferências dos consumidores.
A vinícola batizará sua primeira coleção de Basajaun, em homenagem a um espírito da floresta da mitologia basca conhecido por guardar os segredos da natureza. A equipe escolheu o nome como um reflexo simbólico da missão da vinícola de proteger silenciosamente ecossistemas genéticos, culturais e arquitetônicos frequentemente negligenciados.
Uma vez concluído, o projeto se destacará como uma rara intersecção entre construção sustentável e conservação agrícola. Mais do que uma vinícola, será um arquivo vivo, enraizado na tradição e projetado para crescer em direção ao futuro.
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