Vida Artificial Criada em Laboratório Pode Crescer e se Dividir de Forma Semelhante às Bactérias Naturais

Vida Artificial Criada em Laboratório Pode Crescer e se Dividir de Forma Semelhante às Bactérias Naturais

Crédito:THOMAS DEERINCK, NCMIR/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Células sintéticas, criadas pela fusão de elementos da bactéria Mycoplasma com um genoma sintetizado quimicamente, podem crescer e se dividir em células de formato e tamanho uniformes — muito semelhantes às bactérias naturais.

Equipe de Craig Venter cria células sintéticas mínimas com 473 genes essenciais

Em 2016, uma equipe liderada por Craig Venter no Instituto J. Craig Venter, em San Diego, revelou células sintéticas “mínimas“, cada uma contendo apenas 473 genes essenciais que se acredita serem responsáveis ​​por funções vitais básicas.

Chamadas de JCVI-syn3.0 em homenagem ao instituto, as células eram capazes de crescer e se dividir em ágar, formando aglomerados conhecidos como colônias.

No entanto, quando Venter e sua equipe examinaram mais de perto as células em divisão, descobriram que elas não estavam se dividindo uniformemente para produzir células-filhas idênticas, como as bactérias naturais normalmente fazem. Em vez disso, as divisões resultavam em descendentes com formato e tamanho incomuns.

Eles removeram partes do genoma tidas como não essenciais”, diz Elizabeth Strychalski, do NIST. Mas “essencial” acabou sendo apenas o necessário para colônias em ágar, não para uma divisão celular realista e uniforme.

Descoberta de cinco genes inesperados essenciais para a divisão celular pela equipe de Strychalski

Strychalski e sua equipe descobriram que, embora dois dos sete genes já fossem conhecidos por desempenhar um papel na divisão celular, os outros cinco não tinham função previamente identificada. “Foi surpreendente“, diz ela.

Esses cinco genes estavam fora do que entendíamos anteriormente“, acrescenta o coautor do estudo, James Pelletier, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Ele observa: “A célula mínima contém muitos genes com funções desconhecidas que ainda são essenciais para a sobrevivência — tornando-as um foco fascinante para pesquisas futuras.

Esta pesquisa é extremamente valiosa para entender como a vida funciona e quais genes são essenciais para o funcionamento confiável das células“, afirma Drew Endy, da Universidade Stanford, na Califórnia.

Células mínimas iluminam as origens da vida e promovem a biologia sintética, afirma Kate Adamala

Kate Adamala, da Universidade de Minnesota, diz: “Células mínimas revelam princípios fundamentais da vida e sua origem”, lembrando que se assemelham ao último ancestral comum de toda a vida.

A descoberta também “nos aproxima da criação de células vivas totalmente definidas, compreendidas e controláveis”, afirma Adamala. “Por não terem a complexidade dos sistemas naturais, as células sintéticas servem como ferramentas poderosas tanto para pesquisas fundamentais quanto para aplicações em biotecnologia.

As possibilidades são enormes — na agricultura, nutrição, medicina e limpeza ambiental”, acrescenta Jef Boeke, da Universidade de Nova York. “Ser capaz de refinar e corrigir o código biológico é um marco fundamental para a concretização dessas aplicações.


Leia o artigo original em: New Scientist

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