Um Tipo de Gordura na Dieta Interfere nas Defesas do Corpo Contra o Câncer

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A obesidade é um fator de risco conhecido para diversos tipos de câncer, mas um estudo de uma década revelou que o tipo de gordura da dieta também desempenha um papel fundamental. Pesquisadores descobriram que gorduras animais — como manteiga, banha e sebo bovino — prejudicam a capacidade do sistema imunológico de combater tumores. Em contraste, gorduras vegetais, como as de palma, coco e azeite de oliva, não têm esse efeito e podem até oferecer benefícios protetores.
Cientistas do Ludwig Cancer Research, da Universidade de Princeton, buscaram determinar se o risco de câncer decorre da quantidade de gordura (obesidade) ou do tipo específico. Suas descobertas sugerem que não é apenas a obesidade, mas as gorduras animais em particular, que prejudicam a função das células imunológicas.
Esta pesquisa se baseia em um importante estudo de 2016 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, que analisou diversos estudos e encontrou fortes evidências que ligam o excesso de gordura corporal a um risco maior de pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo mama, cólon e fígado.
No entanto, a equipe do Ludwig suspeitava de um quadro mais complexo. Com base em descobertas anteriores que mostram que a obesidade enfraquece o poder de combate ao câncer de células imunológicas como os linfócitos T citotóxicos (CTLs) e as células natural killer (NK), eles exploraram se diferentes tipos de gordura poderiam ter efeitos diferentes.
Como Gorduras Animais e Vegetais Afetam o Crescimento de Tumores em Camundongos Obesos
Em seu estudo, camundongos foram alimentados com dietas ricas em gordura com o mesmo número de calorias, mas de fontes diferentes — gorduras animais (manteiga, banha, sebo bovino) e gorduras vegetais (palma, oliva, óleo de coco). Após induzir a obesidade, os pesquisadores implantaram nos camundongos células tumorais de cânceres como cólon e melanoma e monitoraram a velocidade de desenvolvimento dos tumores.
Para entender como diferentes gorduras influenciavam o sistema imunológico, os pesquisadores examinaram metabólitos — pequenas moléculas formadas à medida que as células processam nutrientes. Em camundongos obesos alimentados com gorduras animais, eles observaram um acúmulo de metabólitos prejudiciais derivados da gordura, chamados acilcarnitinas de cadeia longa, dentro das células imunológicas CTL e NK. Essas moléculas interromperam a função mitocondrial — a fonte de energia das células —, drenando o poder das células imunológicas e reduzindo sua capacidade de atacar o câncer.
Por outro lado, esses metabólitos tóxicos não se acumularam em camundongos alimentados com gorduras vegetais. Suas células CTL e NK permaneceram ativas e capazes de atacar tumores. Notavelmente, a dieta com óleo de palma ajudou a sustentar a função das células NK, aumentando a atividade do gene c-Myc, que controla a regulação da energia celular.
Gorduras Animais, não apenas a Obesidade, Impulsionam o Crescimento Tumoral e Enfraquecem a resposta Imunológica
“Nossa pesquisa mostra que o tipo de gordura da dieta — não apenas a obesidade — é o principal fator que influencia o crescimento tumoral em camundongos obesos”, explicou a autora principal, Lydia Lynch. “Descobrimos que dietas ricas em gordura de origem animal, como banha, sebo bovino e manteiga, prejudicam a capacidade do sistema imunológico de combater tumores e promovem a progressão do câncer em diversos modelos. Em contraste, gorduras vegetais como coco, palma e azeite de oliva não produziram o mesmo efeito, mesmo em camundongos igualmente obesos. Essas descobertas podem subsidiar estratégias de prevenção e tratamento do câncer para indivíduos com obesidade.”
Em células T citotóxicas, as moléculas derivadas da gordura desencadearam disfunção mitocondrial grave, enfraquecendo sua capacidade de combater tumores e reduzindo a produção de interferon gama (IFN-γ), um componente-chave de sua resposta de combate ao câncer.
Quando os pesquisadores examinaram células NK humanas de indivíduos obesos, observaram comprometimentos mitocondriais e imunológicos semelhantes — apontando para uma ligação direta entre o tipo de gordura da dieta e a imunidade suprimida ao câncer.
“Esses resultados enfatizam a importância da dieta para o suporte à saúde imunológica”, disse Lynch. “Mais importante ainda, eles sugerem que ajustar o tipo de gordura consumida pode melhorar os resultados do tratamento em pacientes obesos com câncer, e que essa abordagem deve ser explorada em ambientes clínicos como uma potencial intervenção dietética.”
Embora a obesidade continue sendo um importante fator de risco para o câncer, o estudo ressalta que o tipo de gordura consumida importa — e que a dieta pode ter uma influência mais direta na progressão do câncer do que se imaginava anteriormente.
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