Pegadas Fossilizadas Fornecem a Evidência mais Antiga da Presença Humana na América do Norte

Pegadas Fossilizadas Fornecem a Evidência mais Antiga da Presença Humana na América do Norte

Crédito:The footprints were first discovered in 2019 and researchers have since debated the accuracy of tools used to trace their age. Courtesy of David Bustos/White Sands National Park

Ao aplicar técnicas atualizadas de datação por radiocarbono a pegadas antigas preservadas no solo rico em gesso de White Sands, pesquisadores confirmaram que humanos habitaram a América do Norte há 23.000 anos, encerrando um antigo debate sobre sua verdadeira idade.

A questão de quando os humanos chegaram à América do Norte tem sido um tópico de controvérsia constante, em grande parte devido a debates sobre a confiabilidade dos métodos de datação de fósseis. Em 2019, arqueólogos descobriram pegadas humanas na argila antiga do Parque Nacional de White Sands, no Novo México. Usando a datação por radiocarbono de sementes e pólen de Ruppia, os pesquisadores sugeriram inicialmente que as pegadas datavam de 23.000 anos.

Pegadas desafiam a cronologia da chegada humana, mas métodos de datação geram debate

A descoberta retrocedeu a cronologia da presença humana nas Américas em 10.000 anos, indicando que as pessoas chegaram antes da última Era Glacial. No entanto, a pesquisa enfrentou intensas críticas quanto à confiabilidade dos materiais utilizados para a datação por radiocarbono. Céticos questionavam se as sementes de Ruppia e o pólen do solo eram indicadores confiáveis ​​de idade.

Então, por que a dúvida? A Ruppia, também conhecida como grama-de-vala, difere da maioria das plantas terrestres porque absorve carbono da água, que pode conter carbono antigo dissolvido. Isso pode fazer com que a planta — e qualquer coisa datada dela — pareça significativamente mais antiga do que realmente é. Quanto ao pólen, ele é extremamente leve e pode ser facilmente reintroduzido no solo pelo vento, pela água ou por animais, levando a resultados potencialmente enganosos.

Nova datação de sedimentos circundantes corrobora a idade original de pegadas antigas

Para contornar dúvidas anteriores, um novo estudo na Science Advances usou datação por radiocarbono da lama ao redor das pegadas, apontando entre 20.700 e 22.400 anos — em linha com a estimativa original de 21.000 a 23.000 anos.

No total, a equipe conduziu 55 testes independentes de radiocarbono nos três materiais. Todos os resultados apontaram consistentemente para um período anterior à cultura Clóvis, há muito tempo considerada como a marca da presença humana mais antiga nas Américas, há cerca de 13.000 anos.

É um conjunto de dados incrivelmente consistente”, disse o autor principal, Vance Holliday. Em algum momento, torna-se quase impossível descartá-lo. Como mencionei no artigo, seria uma coincidência extraordinária que todas essas datas se alinhassem tão perfeitamente se estivessem erradas.

Ainda assim, o estudo deixa algumas questões sem resposta — principalmente a ausência de ferramentas ou vestígios de assentamentos dos povos que deixaram as pegadas. Embora não abordado no estudo, o autor Vance Holliday sugere que os caçadores-coletores partiram logo após deixarem as pegadas, sem tempo para deixar objetos.

Essas pessoas dependiam muito de suas ferramentas e estavam longe de qualquer fonte de materiais de reposição“, explicou Holliday. Eles não teriam descartado nada casualmente. Para mim, não faz sentido esperar uma dispersão de artefatos na área.

 

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