Injeções de Ouro nos Olhos Podem Ser a Chave para Preservar a Visão

Injeções de Ouro nos Olhos Podem Ser a Chave para Preservar a Visão

(Floriana/Getty Images)

A ideia de injetar partículas de ouro nos olhos pode parecer pouco convencional, mas um novo estudo realizado em camundongos nos Estados Unidos sugere que essa técnica pode ser promissora para o tratamento da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e outras doenças oculares degenerativas.

Compreendendo a Âmbito da DMRI

A DMRI afeta milhões de pessoas em todo o mundo e se torna cada vez mais comum com a idade. A condição resulta de danos à mácula — a parte central da retina que abriga fotorreceptores sensíveis à luz —, levando à visão turva e outras deficiências visuais. Embora os tratamentos atuais possam ajudar a retardar sua progressão, eles não restauram a visão perdida.

“Isso representa um novo tipo de prótese de retina com o potencial de restaurar a visão perdida devido à degeneração da retina, sem depender de cirurgia invasiva ou alterações genéticas”, afirma Jiarui Nie, engenheiro biomédico da Universidade Brown, em Rhode Island.

O estudo combinou nanopartículas de ouro com luz infravermelha. (Nie et al., ACS Nano, 2025)

“Esta abordagem pode revolucionar a forma como tratamos doenças degenerativas da retina.”

O tratamento envolve a injeção de nanopartículas de ouro ultrafinas — muito menores que um fio de cabelo humano — no olho. Anticorpos revestem essas partículas, guiando-as até células específicas da retina. Assim que as partículas entram no vítreo, a substância gelatinosa entre o cristalino e a retina, um pequeno laser infravermelho as ativa.

Essa estimulação imita a resposta natural dos fotorreceptores à luz. Os desenvolvedores poderiam potencialmente alojar o laser em um par de óculos especializados para uso futuro em humanos.

Nos testes com camundongos, que utilizaram camundongos geneticamente modificados com distúrbios da retina, o tratamento demonstrou restauração parcial da função visual. Embora seja difícil avaliar a visão em camundongos em detalhes, os resultados demonstraram que as partículas de ouro podem compensar eficazmente os fotorreceptores danificados.

Melhorias na visão foram observadas nos camundongos do estudo. (Nie et al., ACS Nano, 2025)

“Descobrimos que as nanopartículas permaneceram na retina por meses sem causar toxicidade significativa”, explica Nie. “E elas ativaram o sistema visual com sucesso. Esse é um sinal promissor para o desenvolvimento clínico.”

Ao contrário dos tratamentos ou procedimentos existentes para DMRI para condições como retinite pigmentar, este método evita cirurgias de grande porte e implantes volumosos. É minimamente invasivo e pode oferecer uma restauração mais ampla do campo visual.

Em Busca de Aplicações em Humanos

Pesquisadores precisam realizar mais testes antes de poderem aplicar este método em humanos. Ainda assim, as descobertas representam um forte passo fundamental.

A área da oftalmologia está explorando cada vez mais tecnologias inovadoras para tratar a perda de visão — incluindo técnicas que reprogramam outras células da retina para substituir fotorreceptores danificados.

“O desenvolvimento desta tecnologia é um grande avanço e pode eventualmente levar a dispositivos portáteis baseados em luz para restaurar a visão”, concluem os pesquisadores em seu relatório publicado.


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