Estudo Sugere que Beijar o Cônjuge Pode Transmitir Ansiedade e Depressão

Recém-casados que se beijavam transmitiam ansiedade e depressão por meio do microbioma oral. Crédito da imagem: Pixabay
Um estudo com casais recém-casados revelou que a depressão e a ansiedade podem ser transmitidas entre os cônjuges por meio do microbioma oral, compartilhado durante interações íntimas, como o beijo.
Como as Bactérias Orais podem Influenciar a Saúde Mental e Física
Pesquisadores estão descobrindo cada vez mais que, assim como o microbioma intestinal, o microbioma oral — uma mistura complexa de bactérias em nossas bocas — pode influenciar tanto a saúde física quanto a mental. Desequilíbrios nessa comunidade microbiana têm sido associados a condições como transtorno do espectro autista, demência, doença de Parkinson, esquizofrenia, ansiedade e depressão.
Um novo estudo convincente explorou se o beijo pode transferir o microbioma oral entre indivíduos — e se essa troca microbiana pode influenciar a saúde mental.
“Como as bactérias podem ser transmitidas entre cônjuges, este estudo se propôs a examinar se o compartilhamento da microbiota oral entre casais recém-casados contribui para os sintomas de ansiedade e depressão”, explicaram os pesquisadores.
Estudo Internacional Acompanha Mudanças na Microbiota e na Saúde Mental de Casais Recém-Casados ao Longo de Seis Meses
Uma equipe internacional do Irã, Índia, Itália e Reino Unido conduziu o estudo. Os pesquisadores inicialmente avaliaram 1.740 casais com insônia. Os pesquisadores selecionaram 268 casais do grupo, casados há menos de seis meses e em união estável. Em cada par, um dos parceiros era saudável, enquanto o outro apresentava insônia acompanhada de ansiedade e depressão. Os pesquisadores coletaram amostras do microbioma oral e dos níveis de cortisol salivar no primeiro e no 180º dia do estudo.
Os participantes mantiveram dieta, higiene bucal e exercícios habituais durante a pesquisa.
Após seis meses, os cônjuges previamente saudáveis de parceiros afetados apresentaram pontuações mais altas para ansiedade e depressão, além de pior qualidade do sono — efeitos mais pronunciados nas mulheres. Embora os parceiros com insônia apresentassem níveis de cortisol inicialmente mais elevados, seus cônjuges saudáveis também apresentaram níveis elevados ao final do estudo, sugerindo que estavam apresentando sinais fisiológicos de estresse. Notavelmente, o microbioma oral dos cônjuges saudáveis mudou ao longo do tempo, tornando-se mais semelhante ao de seus parceiros afetados.
Troca de Bactérias Orais em Casais Associada a Mudanças na Saúde Mental e em Marcadores de Estresse
“A transferência de microbiota oral por contato próximo, como a observada entre casais neste estudo, pode contribuir para o desenvolvimento de depressão e ansiedade”, concluíram os pesquisadores. “Observamos que mudanças na composição bacteriana oral estavam associadas a variações na gravidade da insônia, nos níveis de cortisol e nos sintomas de saúde mental, corroborando descobertas anteriores nessa área.”
Pesquisadores apontam que a transferência da microbiota oral entre casais é plausível, dado outros tipos de sincronia fisiológica já documentados. Eles acreditam que suas descobertas podem subsidiar abordagens mais holísticas, personalizadas e preventivas para o cuidado da saúde mental.
No entanto, o estudo apresentou diversas limitações. Usou dados autorrelatados, mediu apenas o cortisol salivar matinal e ignorou fatores de estilo de vida como dieta. Restrições orçamentárias também limitaram a coleta de amostras bacterianas às amígdalas e faringe, em vez de analisar todo o microbioma oral.
Apesar dessas restrições, o estudo abre portas para questões contundentes para pesquisas futuras.
“Como este estudo mostra apenas uma correlação, mais investigações são necessárias para determinar se a relação é causal”, disseram os pesquisadores. Se confirmarem uma ligação causal, pesquisadores poderão impactar significativamente futuras pesquisas e estratégias de saúde mental.
Leia o Artigo Original New Atlas
Leia mais Sistema Inovador de Administração de Medicamentos Armazena Doses como Cristais sob a Pele