Cientistas podem ter Superado uma Grande Barreira ao Tratamento Cerebral

Crédito: Pixabay
Um grande obstáculo no tratamento do Alzheimer e de outras doenças relacionadas ao cérebro é contornar as fortes barreiras protetoras do cérebro. No entanto, um novo estudo oferece uma solução promissora para esse desafio.
Nanopartículas contornam a Barreira Hematoencefálica para atingir Células Imunológicas
O principal sistema de defesa do cérebro, a barreira hematoencefálica (BHE), atua como um guardião biológico, permitindo a entrada apenas de moléculas e substâncias químicas essenciais, enquanto bloqueia substâncias potencialmente nocivas ou desconhecidas. Infelizmente, o cérebro frequentemente trata os tratamentos médicos como ameaças.
Em um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon (OSU), cientistas desenvolveram nanopartículas minúsculas — com apenas uma fração de milímetro de largura — que atravessaram com sucesso a BHE e entregaram sua carga útil às células imunológicas em uma região-alvo do cérebro.
“Nossa pesquisa marca um grande avanço”, afirma Oleh Taratula, professor de farmácia da OSU.
O que torna as nanopartículas particularmente inovadoras é sua carga — peptídeos (cadeias curtas de aminoácidos) especialmente selecionados, projetados para abrir a BHE e atingir células imunológicas específicas no cérebro, chamadas microglia.
Acredita-se que a microglia hiperativa contribua significativamente para os danos observados em muitos distúrbios neurológicos, e é por isso que os pesquisadores se concentraram nessas células. Ser capaz de atravessar a BHE e entregar medicamentos diretamente à microglia representa uma grande conquista.
Tratamento com Nanopartículas se Mostra Promissor no Combate à Caquexia Relacionada ao Câncer
Em testes com camundongos, os pesquisadores demonstraram que seu método tratou eficazmente a caquexia — uma condição de perda muscular associada a vários tipos de câncer e outras doenças.
Na caquexia relacionada ao câncer, os pacientes perdem peso independentemente da dieta ou nutrição, e a condição pode ser fatal para até 30% dos afetados. O hipotálamo — uma região do cérebro rica em microglia — parece ter um papel fundamental.
“A inflamação hipotalâmica altera o apetite e o metabolismo nesses pacientes”, explica Taratula. “À medida que a caquexia avança, ela afeta gravemente a qualidade de vida, limita as opções de tratamento e diminui as taxas de sobrevivência.”
Terapia com Nanopartículas Reduz a Perda Muscular e Mostra Potencial para Doenças Neurológicas
No estudo, camundongos tratados com a terapia à base de nanopartículas apresentaram uma melhora acentuada, apresentando 50% menos perda muscular por caquexia em comparação com os controles não tratados.
Embora este estudo não tenha se concentrado diretamente em doenças como o Alzheimer, a mesma abordagem pode ser eficaz para uma série de condições neurológicas que envolvem uma resposta imune hiperativa, incluindo várias formas de demência.
Embora as causas exatas e a progressão do Alzheimer permaneçam obscuras, os pesquisadores suspeitam que células imunes como a microglia podem não estar protegendo o cérebro adequadamente — e podem até mesmo contribuir para o desenvolvimento da doença.
“A capacidade da nanoplataforma de transportar tratamentos através da barreira hematoencefálica (BHE) e atingir diretamente a microglia cria novas oportunidades para abordar distúrbios neurológicos ligados à inflamação cerebral, como Alzheimer e esclerose múltipla”, afirma Taratula.
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