Cientistas Confirmam a Contínua “Pulverização” da Atmosfera de Marte

Crédito: Depositphotos
Pela primeira vez, cientistas observaram diretamente um processo-chave que impulsiona a perda contínua da atmosfera de Marte.
Pesquisa de uma década leva à descoberta
Após nove anos de dados de satélite, a equipe da cientista Shannon Curry, da Universidade do Colorado, encontrou evidências claras de pulverização atmosférica.
De acordo com os pesquisadores, esta descoberta marca um passo essencial para a compreensão de como Marte perdeu grande parte de sua atmosfera e água ao longo do tempo.
“Estes resultados avançam na comprovação do papel da pulverização na perda da atmosfera de Marte,” dizem os autores, “ajudando a entender a história da água e a habitabilidade do planeta.“
O que é pulverização atmosférica?
A pulverização atmosférica foi um dos principais mecanismos de perda atmosférica no início do Sistema Solar, quando o Sol era mais ativo. Esse processo acontece quando íons acelerados pelo campo elétrico do vento solar colidem com a atmosfera de corpos sem um campo magnético global — como Marte.

Crédito:A diagram illustrating the mechanism of sputtering on Mars. (Curry et al., Sci. Adv., 2025)
O efeito é semelhante ao de um impacto de meteorito, que transfere energia para o meio circundante e espalha partículas. No entanto, na pulverização catódica, alguns átomos e moléculas atmosféricas ganham energia suficiente para escapar da gravidade do planeta e são ejetados para o espaço.
Desafios na Observação da Pulverização Catódica em Marte
Observar esse fenômeno diretamente em Marte é extremamente desafiador. Requer a detecção simultânea dos átomos neutros expelidos e dos íons que interagem com a atmosfera ou do campo elétrico que os acelera. Também exige medições tanto no lado diurno quanto no lado noturno do planeta em altas altitudes.
Até o momento, apenas a sonda MAVEN da NASA possui os instrumentos e a configuração orbital para fazer essas observações.A equipe analisou dados da sonda em órbita de Marte desde 2014, buscando quando o campo elétrico solar coincidisse com alta concentração de argônio, indicador do processo.
Cientistas descobriram que, acima de 350 quilômetros de altitude, a densidade do argônio varia dependendo da direção do campo elétrico do vento solar, enquanto em altitudes mais baixas, essa densidade permanece estável.
Evidências Crescem Durante Eventos de Tempestades Solares
A análise também mostrou que isótopos de argônio mais leves escapam com mais facilidade, deixando para trás uma concentração maior de argônio mais pesado — um sinal típico de pulverização catódica ativa. Observações da tempestade solar em Marte, janeiro de 2016, reforçaram essa conclusão com sinais muito mais intensos.
Os dados confirmam que as variações de argônio em Marte vêm da pulverização catódica e ajudam a entender as condições da época em que o Sol era jovem e as tempestades, mais frequentes.
“Descobrimos que a taxa atual de pulverização catódica é mais de quatro vezes maior que antes estimado e que tempestades solares podem intensificá-la,” dizem os pesquisadores.
Nossos resultados confirmam que a pulverização catódica ainda ocorre em Marte e foi o principal mecanismo de perda atmosférica no início do Sistema Solar, quando a atividade solar era mais intensa.
Leia o artigo original em: Science Alert
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