O que Sabemos e o que Não Sabemos Sobre Analgésicos e Autismo

Crédito:Pixabay
Há evidências científicas limitadas que respaldem as recentes decisões do governo dos EUA de emitir alertas sobre o uso de um analgésico comum durante a gravidez e de acelerar a aprovação de um medicamento experimental para autismo.
Na segunda-feira, o governo dos EUA revelou duas medidas relacionadas ao autismo. Primeiro, planeja atualizar os avisos do analgésico amplamente utilizado paracetamol (acetaminofeno), alertando que o uso durante a gravidez pode estar associado a um maior risco de autismo e TDAH em crianças. Segundo, autorizará o uso de um medicamento chamado leucovorina para certas crianças com transtorno do espectro autista (TEA). No entanto, ambas as ações são baseadas em evidências científicas limitadas e é improvável que impactem significativamente as taxas de autismo no país.
Uma Promessa Política Enraizada em Equívocos sobre o Autismo
O anúncio segue a promessa feita em abril por Robert F. Kennedy Jr., a principal autoridade de saúde pública do país, de descobrir as causas do autismo até o final de setembro. Durante uma coletiva de imprensa, o presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu as iniciativas como “passos históricos para enfrentar a crise do autismo”.
Essa perspectiva reflete um mal-entendido ou uma distorção do nosso conhecimento atual sobre o autismo. O aumento dos casos de autismo desde os anos 1980 se deve a critérios diagnósticos mais amplos, maior conscientização e melhor reconhecimento dos sintomas.
Em relação à causa do autismo, há evidências limitadas que relacionem o paracetamol à condição. Embora alguns estudos apontem ligação entre paracetamol na gravidez e autismo, uma revisão de 46 trabalhos revelou que 27 indicaram associação com maior risco de distúrbios do neurodesenvolvimento. No entanto, uma correlação não prova que o paracetamol causa autismo — outros fatores podem estar envolvidos.
Leia o artigo original em: New Scientist
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