Os Videogames Podem Fazer bem à Saúde? Um Novo Estudo Explora a Questão

Os Videogames Podem Fazer bem à Saúde? Um Novo Estudo Explora a Questão

Crédito:Pixabay

O uso excessivo de videogames tem levantado preocupações entre especialistas médicos e científicos quanto ao seu impacto na saúde mental. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou oficialmente o vício em videogames como um transtorno. No entanto, um estudo recente sugere que o uso moderado de videogames pode, de fato, contribuir para o bem-estar mental de adolescentes.

Pesquisadores da Universidade Nihon, no Japão, descobriram isso e publicaram suas descobertas na prestigiosa revista Nature Human Behavior. Os autores apontam que estudos anteriores sobre videogames e saúde mental são inconsistentes e sem comprovação de causa e efeito.

Incertezas cercam os efeitos dos videogames na saúde mental

Devido a divergências significativas nas pesquisas existentes e a diversas limitações metodológicas, o verdadeiro impacto dos videogames no bem-estar psicológico permanece incerto“, observaram os autores do estudo.
Para estudar a relação de causa e efeito, pesquisadores entrevistaram 8.192 pessoas no Japão (com idades entre 10 e 69 anos) que participaram de sorteios para comprar consoles PlayStation 5 ou Nintendo Switch durante um período de escassez de suprimentos entre 2020 e 2022.
Ganhar na loteria se tornou o principal fator determinante para a compra de um console“, explicaram os pesquisadores.

Jogos moderados associados a um leve aumento na saúde mental, segundo estudo

Pesquisadores perguntaram aos participantes sobre seus hábitos de jogo e sofrimento psicológico — um indicador-chave de saúde mental. O estudo mostrou que ganhadores de loteria com acesso a consoles relataram um bem-estar mental ligeiramente melhor após cerca de três horas de jogo diário.
Usando um modelo de aprendizado de máquina, os pesquisadores descobriram que os efeitos dos jogos variavam de acordo com o tipo de console e os fatores sociodemográficos dos jogadores. Eles observaram que indivíduos mais jovens que jogaram no Nintendo Switch experimentaram mais benefícios do que usuários mais velhos.

Tipo de console, gênero e parentalidade influenciam o impacto dos jogos na saúde mental

Além disso, o estudo constatou que usuários do PlayStation 5 sem filhos relataram maiores melhorias no bem-estar do que aqueles com filhos. O PS5 teve um impacto mais forte entre os homens, enquanto os benefícios de possuir um Switch pareceram mais equilibrados entre os gêneros, com uma ligeira vantagem para as mulheres.
Isso ressalta a importância de ser específico e detalhado ao estudar os efeitos dos videogames”, disse Peter Etchells, da Universidade Bath Spa, no Reino Unido, em entrevista à New Scientist.
No entanto, o estudo apresenta algumas limitações. Uma delas é que os participantes relataram o tempo de jogo, o que pode não ser totalmente preciso. Outra é o momento — os pesquisadores coletaram os dados durante a pandemia de COVID-19, o que pode ter influenciado os jogos e o bem-estar. Os pesquisadores recomendam a realização de novos estudos usando a mesma abordagem para confirmar os resultados.

OMS reconhece o vício em videogames como um transtorno médico

Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou oficialmente o vício em videogames como uma condição médica, adicionando-o à Classificação Internacional de Doenças (CID-11) atualizada.
De acordo com a classificação, o vício em jogos envolve um padrão de comportamento marcado por pouco controle sobre os jogos, colocando os jogos acima de outras responsabilidades e interesses diários e continuando a jogar apesar das consequências prejudiciais.
De acordo com a OMS, o transtorno de jogo deve causar sérias perturbações na vida e normalmente durar pelo menos 12 meses para ser diagnosticado.

Leia o artigo original em: CNNbrasil

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