Cientistas Desenvolvem DST de Mosquito Geneticamente Modificado para Ajudar a Combater a Malária

Crédito da imagem: Pixabay
Os mosquitos são um dos inimigos mais mortais da humanidade há milênios, responsáveis por mais mortes do que qualquer outro animal. À medida que os mosquitos se tornam cada vez mais resistentes às estratégias convencionais de controle, os cientistas estão recorrendo a novas soluções para combater doenças transmitidas por eles.
Fungo geneticamente modificado ataca mosquitos transmissores da malária
Na Universidade de Maryland, entomologistas modificaram geneticamente um fungo para atuar como uma infecção sexualmente transmissível letal em mosquitos Anopheles — os principais transmissores da malária. Este fungo, o Metarhizium, produz naturalmente neurotoxinas específicas para insetos, fortes o suficiente para matar as fêmeas dos mosquitos, responsáveis pela disseminação da doença. Ao revestir mosquitos machos com esporos fúngicos modificados, os pesquisadores criaram efetivamente uma IST que atinge e mata as fêmeas dos mosquitos por meio do acasalamento.
Esta não é a primeira vez que cientistas exploram o comportamento de acasalamento dos mosquitos para reduzir sua população. Em estudos recentes, pesquisadores modificaram mosquitos machos para liberar proteínas tóxicas em seu sêmen, matando as fêmeas após o acasalamento.
Maior eficácia no campo
Embora o fungo Metarhizium já fosse conhecido por se espalhar por contato sexual, suas cepas naturais causaram taxas mínimas de mortalidade. No entanto, testes de campo em Burkina Faso, na África Ocidental, revelaram que a versão geneticamente modificada foi significativamente mais eficaz — quase 90% das fêmeas do mosquito morreram dentro de duas semanas após o acasalamento com machos infectados, em comparação com apenas 4% com o fungo selvagem. É importante ressaltar que a infecção não desencorajou as fêmeas de acasalar com parceiros infectados.
Apesar de sua letalidade para mosquitos, o Metarhizium modificado não representa ameaça aos humanos. Mosquitos machos infectados podem transmitir os esporos do fungo para várias fêmeas ao longo de um período de 24 horas, tornando-o uma ferramenta prática e eficiente para liberação ambiental.
“O que torna este fungo tão promissor é que ele atua com o comportamento do mosquito, em vez de tentar anulá-lo”, explica o coautor do estudo, Raymond St. Leger. “Ao contrário dos pesticidas químicos, aos quais os mosquitos podem se tornar resistentes, essa abordagem transforma sua biologia natural em um sistema de entrega para o agente de controle.”
Por que essas táticas inovadoras são necessárias? Porque os mosquitos são incrivelmente adaptáveis. Muitos desenvolveram resistência a inseticidas e medicamentos antimaláricos, e alguns agora evitam espaços internos com mosquiteiros tratados ou repelentes, preferindo descansar ao ar livre.
“É uma verdadeira corrida armamentista”, diz St. Leger. “À medida que os mosquitos se adaptam às nossas defesas, precisamos continuar a inventar maneiras mais inteligentes e criativas de contra-atacar.”
Leia o artigo original em: New Atlas
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